Tuesday, October 03, 2006

Lula e Plutão

Corre pela Internet uma mensagem que traz como attachment uma matéria scanneada de jornal denunciando a criação de uma ONG de defesa de Plutão (até aí seria engraçado, e, se bobear, eu entrava), recebendo 7 milhões do governo Lula (bem menos engraçado). Como vocês já devem ter imaginado, É MENTIRA, uma brincadeira de um cronista meio excêntrico, que algum safado resolveu circular como se fosse verdade. Mas, pelo sim, pelo não, o desmentido do autor segue aqui.

Cabral apóia Lula

Sérgio Cabral acaba de declarar apoio a Lula, diz o Globo. Para Lula faltam Requião e Rigotto.

Garotinho apóia Alckmin

Deve ser por que ele também quer um Brasil decente. Bom, o César Maia sempre disse que esse seria o beijo da morte no Alckmin. Para o Lula é excelente: o apoio a Cabral seria criticado pelo vínculo dele com Garotinho. Garotinho ainda não percebeu que o sistema político brasileiro o considera um pária.

Nota: não estou conseguindo botar link para as reportagens, mas está tudo aberto no UOL.

Gabeira na Folha

Boa entrevista do Gabeira na Folha de hoje. Frase do ano:

"O PV é como Plutão, foi rebaixado mas está aí"

E, sobre a eleição de Maluf:

"É constrangedor, porque você está expulsando deputados que receberam R$ 15 mil, R$ 20 mil, e entra como mais votado pela outra porta um acusado de desviar US$ 260 milhões"

Mais sobre o Rio

A julgar pelo de hoje, Lula fechou com Cabral, o que quer dizer que Crivella, provavelmente, fecha. Mas o mais incrível é que o PSDB de Eduardo Paes não quer apoiar Denise Frossard, que apóia Alckmin (provavelmente a contragosto, mas apóia)! Disse o Eduardo Paes:

"— Gostaria dos dois (Cabral e Frossard) apoiando o Alckmin. Seria a campanha da ética contra a picaretagem do Brasil. As alianças fazem parte da política. Não sou como o prefeito Cesar Maia, que faz política com o fígado. Faz parte da vida, o PSDB tem que se posicionar. Não retiro qualquer crítica que fiz aos adversários, mas lembro que nunca ataquei ninguém pessoalmente — disse Paes, reiterando que o PSDB vai decidir em conjunto sobre apoios."

O que é evidente é que Eduardo Paes faz, sim, política com o fígado, e não quer fechar com César, ex-aliado. Na verdade, a possibilidade de apoio do PSDB a Cabral se deve ao fato de que o PSDB no Rio é liderado pelo glorioso Zito, que eu não vou nem dizer quem é, para não fazer propaganda negativa do Estado. Digamos que não é um Mário Covas.

Monday, October 02, 2006

Alckmin nos Estados

Por outro lado, se houverem ondas Frossard e Crusius, Alckmin dá um grande passo. Mas o decisivo talvez seja a entrada de Aécio e Serra na campanha. Talvez Serra já tenha transferido tudo que tinha para transferir, mas Aécio não. Problema: na terra de Azeredo, as acusações de corrupção são mais difíceis, ainda mais com a carta de FHC como testemunha de acusação.

No geral, o segundo turno nos Estados está mais favorável para Lula, a não ser que Alckmin consiga, em uma jogada ousadíssima, conquistar o PMDB. Esse é o principal problema de Alckmin. Em Estados onde Alckmin é forte, Lula terá candidatos fortes. A única situação semelhante para Alckmin é o Rio de Janeiro. Mas no Rio Heloísa Helena teve mais de 10%, e pelo menos metade disso (provavelmente mais, 60-70%) deve ir para Lula.

Por outro lado, Alckmin tem aliados disputando o segundo turno em alguns Estados do Nordeste onde Lula tem uma vantagem muito maior do que a que Alckmin tem em qualquer lugar. Não sabemos o quanto esses candidatos vão querer concorrer como anti-Lulas.

Cá entre nós, o cenário de sonhos para Alckmin seria Aécio e Serra enfrentando o PT (e ganhando, naturalmente) no segundo turno para governador.

Eleição no Rio

Quem decide é Lula. Somando Crivella e Palmeira, Cabral ganha. Para receber isso, Cabral vai ter que ajudar a integrar o PMDB na campanha e dar uma suava passada de mão na bunda de Garotinho. Se Lula recrutar Requião, Luis Henrique, Cabral e Rigotto, e se os escändalos não renderem mais, acabou. Em São Paulo Lula não recupera mais, mas só precisa fazer a onda parar.

Mas vejam que beleza: Luis Henrique está afinado com Alckmin. Logo, Lula pode decidir a favor de Espiridião Amin. São os tempos.

Troféu "Tava ganho e eu fiz merda" 2006

Não, não é do Lula, mesmo se ele perder. É da Jandira Feghali, que estava com o Senado pelo Rio na mão, e resolveu PROCESSAR O BISPO. É isso aí, a Jandira tinha dado declarações a favor da legalização do aborto, a Igreja criticou, todo mundo no seu direito. Aí alguém da sua campanha achou que seria uma boa idéia entrar na justiça para que a Igreja impedisse os padres de darem suas opiniões políticas na Igreja. E OS CARAS FIZERAM! No dia seguinte todos os jornais tinham a foto do Bispo e do Cardeal recebendo uma intimação da justiça e dizendo que nem na ditadura fizeram igual. É como todos os melhores momentos do FHC em campanha resumidos num só evento: os caras fumaram maconha, disseram que não acreditavam em Deus, e tentaram sentar na cadeira do Bispo.

PT sobrevive

E não, o velho Bornhausen não se livrou da raça dos petistas, e, apesar da capa da Veja ter declarado, na edição que tinha a pior matéria sobre política publicada fora da Hora do Povo, que o PT "era vidro e se quebrou", alguém arrumou um belo durepox. O PT teve a maior votação para a Câmara Federal, e GANHOU dois deputados além dos oitenta e um que tinha. Até poucas semanas atrás, todas as projeções davam redução considerável de bancada.

(Há jornais dizendo que o PT caiu de 91 para 83; na verdade, a redução se deu durante a legislatura, devido à fundação do PSOL e outras defecções menores, para o PDT, por exemplo. No final da legislatura tinha 81 deputados).

Se o PT vai conseguir se emendar, não sabemos. Mas não há dúvida de que sua sobrevivência é boa para a democracia. Se foi a turma do PMDB (PSDB incluso) que implantou a nova democracia no Brasil, o PT foi fundamental para dar-lhe densidade e raízes entre os pobres. Esperemos que nos próximos anos o PT reforme seu programa e retome sua velha ética, para fazer jus a essa herança, ganhe Lula ou não.

Viva Gabeira

Para comemorar a eleição do Gabeira, lembremos:

Travecão, Família e Propriedade

O Clodovil ganhou, é foda. Fazer o que. Bom, nos resta apreciar a ironia: o deputado menos votado dos eleitos é o coronel da PM Paes de Lira, um sujeito reaça, ignorante e fanaticamente conservador, para sempre vai ser marcado pelo fato de que só se elegeu por causa dos votos do Clodovil.

Está para o Clodovil como o Robin está para o Batman, é o backing vocals do Clodovil, é o cover, o dublê do Clodovil, e, como evitar a piada, se elegeu montado no Clodovil. Está para o Clodovil como o Pinguim para a geladeira, como a bolinha para a raquete de pingue-pongue, como o cadarço para a Conga, como o Hipoglós para o suporte atlético, é a gordura da picanha do Clodovil.

A gente sofre, mas se diverte.

Hehehe


WHAT A WONDERFUL WORLD
(George Weiss / Bob Thiele)

I see trees of green,
red roses too
I see them bloom
for me and you
And I think to myself,
what a wonderful woooooorld

I see skies of blue
and clouds of white
The bright blessed day,
the dark sacred night
And I think to myself,
what a wonderful woooooorld

The colours of the rainbow,
so pretty in the sky
Are also on the faces
of people going by

I see friends shakin' hands,
sayin' "How do you do?"
They're really saying
"I love you"
And I think to myself,
what a wonderful woooooorld

I hear babies cryin',
I watch them grow
They'll learn much more
than I'll ever know
And I think to myself,
what a wonderful woooooorld
Yes, I think to myself,
what a wonderful wooooooorld

Oh yeah

Dá-lhe Alckmin

Ao contrário dos serristas e punheto-efeagacistas, este blog sempre achou o Alckmin um bom candidato, individualmente (embora não tenha votado nele). O que presta no PSDB é a ala Mário Covas. O resto é um bando de pentelho que partido de esquerda produz às dúzias toda semana.

Pois bem: Alckmin teve pouco menos de 40 milhões votos, mais ou menos o dobro do que teve Serra no primeiro turno em 2002 (pouco menos de 20 milhões), e mais do que Serra teve no segundo (cerca de 33 milhões), quando contava com a máquina do governo, e Lula ainda não tinha feito o maior programa de distribuição de renda da história nacional.

Alckmin deve perder, por que a situação é dificílima, mas não vai ser por que é mau político, não. Tem futuro. Pode vir a ser a liderança da direita civilizada.

Segundo Turno (III)

Lado ruim do segundo turno: o risco de polarização. Se a coisa ficar radical demais, se a oposição tentar levar pros tribunais, se Lula apelar contra a conspiração das elites, depois da eleição vai ser difícil consertar as pontes.

Segundo Turno (II)

Lado bom do segundo turno: Lula vai ter que dar explicações, e vai ter que ouvir o que os eleitores têm de reclamações. Aumenta a necessidade de fazer a aliança com o PMDB: se fechar agora, Lula tem palanques vencedores em nas regiões em que Alckmin ganhou, Sul e Centro-Oeste. No Paraná e em Santa Catarina, o PMDB lidera. Se Rigotto apoiar Olívio, Lula ganha espaço no Rio Grande do Sul, onde Alckmin ganhou. No Centro-Oeste, em um dos Estados em que Alckmin havia ganho, Mato Grosso do Sul, o vencedor no primeiro turno é adversário de Lula, mas é do PMDB, e uma situação parecida ocorre em Goiás. Naturalmente, em uma deprimente aliança com Sérgio Cabral, Lula pode ampliar a vantagem no Rio. Enfim, se Lula ganhar o PMDB, e se metade dos votos de Heloísa Helena forem transferidos para Lula, acabou.

O PMDB não é essas coisas, mas, de qualquer maneira, uma aliança ao centro sempre diminui a tentação chavista. E isso é bom.

Segundo Turno (I)

Lado ruim do Segundo Turno: o César Maia sinceramente acha que aquela projeçãozinha vagabunda dele deu certo. Evidentemente, visto que o deslocamento foi em SP, o problema foi o Verdoinazo. Grande Hamilton.

Cláusula de Barreira

A crer no UOL, o PSB e o PDT conseguiram cumprir a cláusula de barreira. PPS e PV pensam em se fundir.

Clipe da semana: Fastball - "The Way"

Alguém já ouviu outra música desses caras? Eu só lembro dessa, que acho muito legal.

Congresso

Resultados das bancadas, baseado na hipótese mais que provável de aliança PT/PMDB, e usando dados das listas publicadas na imprensa até agora, que, creio, ainda serão ajustadas com o voto de legenda.

Bancada Lula (PT/PMDB/PSB/PCdoB): 212
Bancada Alckmin (PSDB/PFL/PPS): 151
Bancada Mensalão (PP/PTB/PL): 90
PDT: 22
PV: 12

E mais um monte de pequenos partidos que juntos somam uns vinte votos (o PSOL, se não me engano, elegeu 3 deputados, o PRONA 2, etc.).

Segundo o Ex-Blog do CM, cerca de 1 em cada 3 deputados está em partidos que não cumpriram a cláusula de barreira. A informação é meio desencontrada, visto que o CM também afirma que PSB e PDT (mais ou menos) atingem a cláusula (e o 1/3 só é verdade se não passarem). De qualquer forma, a briga agora é para recrutar essa turma.

Por enquanto, não dá pra saber quem tem maioria. Por exemplo, é possível que haja fusões à esquerda e à direita que cortem as atuais alianças ao meio. Por exemplo, vejam estes dois novos partidos possíveis:

Partido brizo-socialista-verde do B (PDT+PSB+PV+PPS+PCdoB) = 98 deputados.
Partido clodovo-malufista do eu quero o meu (PP+PTB+PL+PTC+PSC) = 100 deputados.

PS: Não custa sonhar: se Lula conseguir o apoio do PMDB e do PBSVdoB, vai a 270 deputados (maioria simples) sem precisar de um só voto da Bancada Mensalão. O ideal seria atrair também o PSDB, mas, enfim.

PS2: Por outro lado: uma aliança entre o PFL e o PCMDEQOM teria 165 deputados.

Dá-lhe nós!

Todo mundo que o blog apoiou ganhou ou fez bonito: dois apoios entusiasmados, Fernando Gabeira (campeão do Estado), Carlos Minc e Suplicy ganharam. Do apoio mais ou menos entusiasmado, Frossard foi para o segundo turno.

Uma pena: a crer nas projeções atuais, Biscaia não se elege no Rio, uma perda tremenda para o Congresso.