Outra situação delicada para Alckmin, caso haja segundo turno, é o Rio. Se o segundo turno for entre Cabral e Frossard, Crivella, fechado com Lula, decide a eleição (e Vladimir Palmeira sempre terá seus pontinhos). Se o segundo turno for com Crivella, César Maia não pode apoiar ninguém. Note-se que Lula no segundo turno terá uma votação maior no Rio, dada a (pequena)transferência de Heloísa Helena, que é forte na cidade. Muito do voto HH vai para o nulo, o que não ajuda Alckmin.
Agora a pergunta: por que o PSDB lançou Eduardo Paes? Se Frossard não passar, foi por isso.
Friday, September 29, 2006
PSDB no sul
Segundo o Noblat, Yeda Crusius (PSDB) passou Olívio Dutra na pesquisa, e deve disputar o segundo turno contra o Rigotto. A candidatura Crusius foi muito controversa, por que impediu que o Rigotto apoiasse o Alckmin. E agora pode ser pior: se houver segundo turno, Lula aparece no sul dizendo que ama Rigotto mais do que a mãe de seus filhos, e tira pontos de Alckmin exatamente na única região em que ele ganha. Considerando que, com os votos de Olivio, Rigotto ganha fácil, a candidatura Crusius pode ter sido um erro tático considerável.
César Maia sobre o debate
Pra vocês verem como eu sou pervertido: pra mim campanha eleitoral é que nem sexo e pizza, mesmo quando é ruim é bom. Por isso devo dizer que estou razoavelmente animado com a eleição de domingo, mesmo não sabendo ainda o que vou fazer com meu voto para presidente. Hoje, pela primeira vez, acordei e corri para ver o que o Ex-blog do CM (pelo qual, devo dizer, desenvolvi certa simpatia) ia dizer do debate.
Não achei ele tão animado, não; certo, disse que o Alckmin foi "perfeito", mas o próprio exagero de tom mostra que foi forçado. CM claramente se decepcionou com Heloíosa Helena, a respeito de cuja fala final comenta:
"Heloisa Helena esgotou seu repertório no primeiro bloco. A sua fala final -que quis dar um tom comovente- foi mais um discurso de despedida de aeroporto"
O que foi exatamente o caso. Algumas pessoas me disseram que tiveram a impressão de que HH estava tentando chorar, o que é meio esquisito.
E CM, como eu, estranhou que Alckmin não tivesse levantado a questão da Bolívia. Essa eu achei que ia ser barbada.
Não achei ele tão animado, não; certo, disse que o Alckmin foi "perfeito", mas o próprio exagero de tom mostra que foi forçado. CM claramente se decepcionou com Heloíosa Helena, a respeito de cuja fala final comenta:
"Heloisa Helena esgotou seu repertório no primeiro bloco. A sua fala final -que quis dar um tom comovente- foi mais um discurso de despedida de aeroporto"
O que foi exatamente o caso. Algumas pessoas me disseram que tiveram a impressão de que HH estava tentando chorar, o que é meio esquisito.
E CM, como eu, estranhou que Alckmin não tivesse levantado a questão da Bolívia. Essa eu achei que ia ser barbada.
Thursday, September 28, 2006
Debate
Todos os candidatos foram bem, pra falar a verdade. Aliás, falando estritamente dos indivíduos, até que o Brasil não está mal de candidatos, não. Falta é projeto.
Alckmin se perdeu um pouco em detalhes técnicos. Eu achei bom, mas suspeito que muita gente dormiu. Cristovam foi melhor, ganhou voto, mas, para ser honesto, era meio óbvio que não estava concorrendo à presidência. Se cumprir o propósito de, depois da eleição, iniciar um movimento pela educação, eu entro. Heloísa Helena imbatível como retórica, jogando pesado contra o Lula, e, por vezes, meio sujo ("Eu sempre ensino meu filho a não roubar, o contrário do que faz o Lula em sua casa").
Eu estava quase declarando voto no Lula, queria ver o cara no debate. Mas, do ponto de vista eleitoral, ele teve razão de não ir, mesmo se o segundo turno acontecer. Ganharia das explanações do Alckmin, traria ótimos números de seu governo, mas não tem como concorrer com as criancinhas, as vovós, as flores, da HH. HH começou com "Eu també fui pobre e nordestina como Lula, mas não traí minha classe". Lula poderia ganhar um debate com HH mostrando que ela é louca, e poderia ganhar do Alckmin sendo carismático, mas não conseguiria ser carismático mostrando que a HH é louca.
Um fato importante: o debate foi tarde pra cacete. Se mudar alguma coisa, muda o voto dos mais ricos e educados entre aqueles 8% de indecisos.
O turno se decide por pouco. Muita gente fará projeções estatísticas, e eu garanto para vocês que são todas babaquices: todos os movimentos são sutis demais, centímetros além ou aquém da margem de erro. Evidenntemente, alguém vai acertar, e a pobre da estatística será novamente desmoralizada.
Alckmin se perdeu um pouco em detalhes técnicos. Eu achei bom, mas suspeito que muita gente dormiu. Cristovam foi melhor, ganhou voto, mas, para ser honesto, era meio óbvio que não estava concorrendo à presidência. Se cumprir o propósito de, depois da eleição, iniciar um movimento pela educação, eu entro. Heloísa Helena imbatível como retórica, jogando pesado contra o Lula, e, por vezes, meio sujo ("Eu sempre ensino meu filho a não roubar, o contrário do que faz o Lula em sua casa").
Eu estava quase declarando voto no Lula, queria ver o cara no debate. Mas, do ponto de vista eleitoral, ele teve razão de não ir, mesmo se o segundo turno acontecer. Ganharia das explanações do Alckmin, traria ótimos números de seu governo, mas não tem como concorrer com as criancinhas, as vovós, as flores, da HH. HH começou com "Eu també fui pobre e nordestina como Lula, mas não traí minha classe". Lula poderia ganhar um debate com HH mostrando que ela é louca, e poderia ganhar do Alckmin sendo carismático, mas não conseguiria ser carismático mostrando que a HH é louca.
Um fato importante: o debate foi tarde pra cacete. Se mudar alguma coisa, muda o voto dos mais ricos e educados entre aqueles 8% de indecisos.
O turno se decide por pouco. Muita gente fará projeções estatísticas, e eu garanto para vocês que são todas babaquices: todos os movimentos são sutis demais, centímetros além ou aquém da margem de erro. Evidenntemente, alguém vai acertar, e a pobre da estatística será novamente desmoralizada.
Wednesday, September 27, 2006
Tuesday, September 26, 2006
Debate (IV)
Serra fez uma boa: ficou o tempo todo com cara de mosca morta, e, no depoimento final, quando não dava mais pra ninguém contestar, denunciou o esquema do dossiê (tinha ficado quieto), defendeu o governo Covas (e, beeeeeeem timidamente, Alckmin) e, pela primeira vez empolgou. Inacreditavelmente, a Globo cortou o final de seu depoimento (tinha estourado o tempo), o que impediu que os espectadores presenciassem um momento histórico, o primeiro ato entusiasmado da vida de José Serra, com direito até a chamado com os braços no estilo "vem comigo".
Plínio, dobradíssimo com Serra, no final perguntou em quem Mercadante tinha votado para presidente do PT, e Mercadante não disse que foi em Berzoíni (que, lembrem, ganhou a eleição de Plínio).
No geral: Mercadante melhor no debate, mas não melhor o suficiente. Serra jogou na retranca e talvez tenha dado certo. Dada a óbvia tabela PSOL/PSDB, acho difícil que Lula vá amanhã. Alckmin é menos inexpressivo que Serra, e Heloísa tem dez vezes menos carisma que Plínio.
Plínio, dobradíssimo com Serra, no final perguntou em quem Mercadante tinha votado para presidente do PT, e Mercadante não disse que foi em Berzoíni (que, lembrem, ganhou a eleição de Plínio).
No geral: Mercadante melhor no debate, mas não melhor o suficiente. Serra jogou na retranca e talvez tenha dado certo. Dada a óbvia tabela PSOL/PSDB, acho difícil que Lula vá amanhã. Alckmin é menos inexpressivo que Serra, e Heloísa tem dez vezes menos carisma que Plínio.
Debate (III)
Mercadante sobre o PSDB e o PCC:
"Eles alimentaram uma cobra com Todddy"
TODDDY? Que coisa totosa.
"Eles alimentaram uma cobra com Todddy"
TODDDY? Que coisa totosa.
Debate (II)
Ponto positivo do debate: eu sempre falei mal da progressão continuada até a quarta série, mas achava que era uma daquelas coisas que ninguém ia criticar, porque seria impopular (tadinhas das criancinhas!). O problema é delicado: o crescimento da taxa de matrícula dos anos noventa foi, em boa parte, porque o grande problema era a repetência, que desestimulava os moleques. Agora, deixar o cara ir até os dez anos analfabeto também não dá. E vários candidatos estão falando mal.
Mas é uma dessas coisas sobre as quais eu queria ver dados para formar uma opinião mais sólida. Se a percentagem de semi-analfabetos em sala de aula for igual à que antes saía da escola, menos mal: o cara seria analfabeto de qualquer maneira, mas pelo menos convive socialmente em um ambiente civilizado, e alguma coisa ele deve aprender. Agora, o risco é que esse cara passe a ser o padrão, e o moleque que estuda vire o otário. Sempre vai ter o moleque inteligente que estuda e o moleque-problema. A questão é o que acontece com a maioria no meio.
Mas é uma dessas coisas sobre as quais eu queria ver dados para formar uma opinião mais sólida. Se a percentagem de semi-analfabetos em sala de aula for igual à que antes saía da escola, menos mal: o cara seria analfabeto de qualquer maneira, mas pelo menos convive socialmente em um ambiente civilizado, e alguma coisa ele deve aprender. Agora, o risco é que esse cara passe a ser o padrão, e o moleque que estuda vire o otário. Sempre vai ter o moleque inteligente que estuda e o moleque-problema. A questão é o que acontece com a maioria no meio.
Debate SP
O primeiro debate do ano é esse de SP, em que o favorito - o Serra - vai. O Serra até que está indo bem, mas o negócio é um linchamento. Mercadante vai bem, e Quércia e um outro mané aí (quem é Apolinário? Cheguei em SP há pouco tempo) estão como franco-atiradores.
(Exemplo: diante da proposta do Serra- muito boa - de colocar duas professoras em sala de aula, Quércia comenta: "vai ser uma que sabe ler e outra que sabe escrever?")
Só quem alivia a barra do Serra é o Plínio de Arruda, que critica o Mercadante, também. Acho que, se o Lula está vendo, não vai querer ir ao debate, não.
(Exemplo: diante da proposta do Serra- muito boa - de colocar duas professoras em sala de aula, Quércia comenta: "vai ser uma que sabe ler e outra que sabe escrever?")
Só quem alivia a barra do Serra é o Plínio de Arruda, que critica o Mercadante, também. Acho que, se o Lula está vendo, não vai querer ir ao debate, não.
Eleição (II)
Defendo a tese de que votar é fazer política, no sentido estrito: fazer uma aliança com os caras que votam no mesmo candidato, sabendo que o candidato vai refletir um compromisso entre o que os diferentes eleitores do candidato querem. Votar apenas em candidato perfeito é se recusar a fazer aliança, a fazer política, a viver em grupo. O voto nulo, em alguns casos, é uma opção válida, mas isso é muito raro. Em geral é narcisismo punheteiro.
Entre os dois candidatos competitivos, vejo as seguintes alianças possíveis:
Se eu votar no Lula, faço aliança com a massa de excluídos atendidos pelos programas sociais do governo e que se identificam pela primeira vez com uma figura política que vêem como igual, algo cuja importância é difícil superestimar, algo realmente histórico, cujos efeitos ainda não compreendemos. Também me alio aos que, dentro do PT, defenderam a ortodoxia monetária, que talvez sejam o grupo com o qual mais me identifico. Mas também me alio aos remanescentes do grupo de José Dirceu em SP, à aparelhadores dos movimento sindical e estudantil, a retardados que esperam que no segundo governo "ele finalmente vai ser de esquerda", a gente que apóia Fidel Castro e Chávez, e, cá entre nós, a história do Celso Daniel é esquisita. E, naturalmente, me aliaria a deputados corruptos e seus amigos. Um gesto de Lula se distanciando de Chávez decidiria meu voto.
Se eu votar no Alckmin, me alio a setores éticos e esclarecidos da classe média e da elite cultural, que são, enfim, os melhores de onde eu venho. Gosto que Alckmin seja do grupo de Covas, o PSDB que me interessa, que "coloca o pé no barro", com quem me aliaria fácil. Me aliaria também a gente que tem interesse em continuar o trabalho do Palocci (que continuou o do Armínio Fraga), por exemplo, com o "choque de gestão" no setor público. Mas também me alio ao Serrismo da turma da Primeira Leitura, da privatização do Mendonção, à turma que segurou o câmbio até a eleição de 98, a uma intelectualidade médiazinha que só sobrevive porque ninguém consegue ler os livros dos autores estrangeiros, a gente que manifesta os preconceitos mais inacreditáveis contra o Lula, ao ACM (e não é que o Bolsonaro está no PFL?). Enfim, faria aliança com o que a classe média brasileira tem de melhor e de pior. E, naturalmente aos deputados corruptos que mudariam de lado imediatamente, e a seus amigos.
Não está fácil, não.
Entre os dois candidatos competitivos, vejo as seguintes alianças possíveis:
Se eu votar no Lula, faço aliança com a massa de excluídos atendidos pelos programas sociais do governo e que se identificam pela primeira vez com uma figura política que vêem como igual, algo cuja importância é difícil superestimar, algo realmente histórico, cujos efeitos ainda não compreendemos. Também me alio aos que, dentro do PT, defenderam a ortodoxia monetária, que talvez sejam o grupo com o qual mais me identifico. Mas também me alio aos remanescentes do grupo de José Dirceu em SP, à aparelhadores dos movimento sindical e estudantil, a retardados que esperam que no segundo governo "ele finalmente vai ser de esquerda", a gente que apóia Fidel Castro e Chávez, e, cá entre nós, a história do Celso Daniel é esquisita. E, naturalmente, me aliaria a deputados corruptos e seus amigos. Um gesto de Lula se distanciando de Chávez decidiria meu voto.
Se eu votar no Alckmin, me alio a setores éticos e esclarecidos da classe média e da elite cultural, que são, enfim, os melhores de onde eu venho. Gosto que Alckmin seja do grupo de Covas, o PSDB que me interessa, que "coloca o pé no barro", com quem me aliaria fácil. Me aliaria também a gente que tem interesse em continuar o trabalho do Palocci (que continuou o do Armínio Fraga), por exemplo, com o "choque de gestão" no setor público. Mas também me alio ao Serrismo da turma da Primeira Leitura, da privatização do Mendonção, à turma que segurou o câmbio até a eleição de 98, a uma intelectualidade médiazinha que só sobrevive porque ninguém consegue ler os livros dos autores estrangeiros, a gente que manifesta os preconceitos mais inacreditáveis contra o Lula, ao ACM (e não é que o Bolsonaro está no PFL?). Enfim, faria aliança com o que a classe média brasileira tem de melhor e de pior. E, naturalmente aos deputados corruptos que mudariam de lado imediatamente, e a seus amigos.
Não está fácil, não.
Eleição
Vocês podem não acreditar, mas ainda não decidi em quem votar.
Eu achei o governo Lula razoavelmente bom, em alguns aspectos muito bons. Em condições normais, estaria fazendo campanha como não faço desde 94. Mas as condições não são normais. Não sei como votar em Lula sem dar aval à corrupção no relacionamento com o congresso (o último escândalo ainda não me impressione, a não ser que se descubra que o dinheiro veio do erário ou, sei lá, do Mugabe). Gostaria de um candidato que concorresse com a plataforma "O mesmo tipo de governo, mas sem comprar deputados", mas esse candidato não apareceu.
Gosto do Alckmin como candidato, mas tenho medo do que acontece com o país se uma reação anti-petista se instaura. O que seria um governo tucano sem a fiscalização que o PT lhe fazia, com o PFL dramaticamente fortalecido (visto que o PFL foi, mesmo, mais fiel a Alckmin do que o PSDB)? O que seria a corrente cultural pós-Lula? Se me garantirem que será a Veja apoiando Gabeira, beleza. Se me disserem que será a Veja adotando o blog do Reinaldo Azevedo (sabiam dessa?), nem fudendo. Não é que eu queira proibir a direita (ao contrário, gostaria que ela fosse um adversário mais forte e melhor), mas, sendo de esquerda, quero que os valores da esquerda ganhem. E estou discutindo meu voto, não o regime político do Brasil.
Gosto da candidatura de Cristovam, mesmo ele falando essas merdas sobre o milagre que fez o Chávez na educação (vejam o blog da Miriam Leitão para os dados corretos), posso até votar nele, mas, sinceramente, só votaria para ficar em paz com a minha consciência, o que, em parte, se deve ao fato de que ele vai, obviamente, perder.
Mas não acho que se deva votar, ou fazer política de que jeito seja, só para ficar em paz com sua consciência. Uma das coisas que a política deve fazer é questionar sua consciência: será que meus valores são plausíveis, há como fazê-los prevalecer sem violar os direitos dos outros? Porque ela não se faz essas perguntas, e está perfeitamente em paz com sua consciência, não voto em Heloísa Helena.
Enfim, ainda não decidi, não.
Eu achei o governo Lula razoavelmente bom, em alguns aspectos muito bons. Em condições normais, estaria fazendo campanha como não faço desde 94. Mas as condições não são normais. Não sei como votar em Lula sem dar aval à corrupção no relacionamento com o congresso (o último escândalo ainda não me impressione, a não ser que se descubra que o dinheiro veio do erário ou, sei lá, do Mugabe). Gostaria de um candidato que concorresse com a plataforma "O mesmo tipo de governo, mas sem comprar deputados", mas esse candidato não apareceu.
Gosto do Alckmin como candidato, mas tenho medo do que acontece com o país se uma reação anti-petista se instaura. O que seria um governo tucano sem a fiscalização que o PT lhe fazia, com o PFL dramaticamente fortalecido (visto que o PFL foi, mesmo, mais fiel a Alckmin do que o PSDB)? O que seria a corrente cultural pós-Lula? Se me garantirem que será a Veja apoiando Gabeira, beleza. Se me disserem que será a Veja adotando o blog do Reinaldo Azevedo (sabiam dessa?), nem fudendo. Não é que eu queira proibir a direita (ao contrário, gostaria que ela fosse um adversário mais forte e melhor), mas, sendo de esquerda, quero que os valores da esquerda ganhem. E estou discutindo meu voto, não o regime político do Brasil.
Gosto da candidatura de Cristovam, mesmo ele falando essas merdas sobre o milagre que fez o Chávez na educação (vejam o blog da Miriam Leitão para os dados corretos), posso até votar nele, mas, sinceramente, só votaria para ficar em paz com a minha consciência, o que, em parte, se deve ao fato de que ele vai, obviamente, perder.
Mas não acho que se deva votar, ou fazer política de que jeito seja, só para ficar em paz com sua consciência. Uma das coisas que a política deve fazer é questionar sua consciência: será que meus valores são plausíveis, há como fazê-los prevalecer sem violar os direitos dos outros? Porque ela não se faz essas perguntas, e está perfeitamente em paz com sua consciência, não voto em Heloísa Helena.
Enfim, ainda não decidi, não.
Ratzinger e o Islã (II)
Uma tremenda entrevista sobre a questão dos comentários do Papa pode ser encontrada aqui. O entrevistado é ninguém menos que o presidente do Instituto para o Estudo das Religiões e Culturas da Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma (isso é que é título, hein?). Vi no site do Andrew Sullivan. Quem pode pode.
Foro de São Paulo
Eu já tinha enchido o saco dessa história, mas fiquei assustado com dois colegas de trabalho que acreditam nisso, tendo visto a reedição da história do Olavo de Carvalho no blog do Olavúnculo.
O Foro de SP é uma organização de grupos de esquerda democráticos e não-democráticos (excluídos, se não me engano, os genocidas, como o Sendero, mas incluíndo as FARC), que se reúnem de vez em quando para articular uma estratégia de esquerda para a América Latina. Quando eu militava no PT, o Foro era visto como piada, visto que os diversos grupos que o compunham continuavam atuando em cada país exatamente como antes, sem qualquer sinal de que estivessem organizados de que jeito fosse.
Por contraste: vários grupos de esquerda ao redor do mundo sacrificaram seu interesse imediato pra obedecer ao Komintern soviético. O Komintern parou revoluções em diversos lugares, como na Grécia, e mandou acirrar o discurso em vários momentos em que os PCs locais teriam interesse em se moderar, como foi o caso do PCB no pós-guerra. Quem não entrava na linha era isolado, como a Iugoslávia de Tito.
Hoje se diz que o Foro de SP está por trás da estatização da Petrobrás na Bolívia. Eu acho o contrário. Coloquem-se no lugar de uma hipotética organização centralizada, como era o Komintern, e vejam se faz sentido. Valeria a pena ganhar a Bolívia e perder o Brasil, onde um membro do Foro de SP é presidente, e está no meio de uma crise política pesadíssima? Isso me pareceria uma imbecilidade atroz. Se o Foro de SP é mesmo uma grande conspiração, é atrozmente burra. Eu acho que a estatização do gás mostra claramente que o Foro de SP é um troço irrelevante.
Por outro lado, a estatização mostra que há, sim, um esforço hegemonista do Chávez na AL. Chávez, forte por causa da alta do petróleo, tem todo interesse em polarizar com Lula, fraco por causa da crise do Mensalão, e seu único concorrente como líder da esquerda mundial.
Não há conspiração digna de nota do Foro de SP. Há, sim, a substituição da Argentina pela Venezuela como nosso rival estratégico continental. Se quiserem criticar Lula, critiquem por docilidade com Chávez, não por estar, junto com ele, comandando um mega-esquema de revolução continental. Até acho possível que Chávez use o Foro do SP para alguma coisa, mas essa terá sido a primeira vez em que ele foi útil para alguém.
Tanto o Olavo quanto o Olavúnculo fazem pouco do departamento de Estado dos EUA por ainda achar que há uma grande diferença entre Lula e Chávez. Não subestimem o Departamento de Estado Americano. Mais do que ninguém, eles sabem o que é e o que não é Komintern. Eles já venceram um.
PS: se esse post o tranquilizou, é por que você ainda não compreendeu o que é ter como vizinho um amigo do Mugabe e do Ahmadinejad, em processo de pesado rearmamento e com a bunda cheia de petróleo bem na hora em que Bush resolveu desestabilizar o Oriente Médio e os chineses resolveram andar de carro.
O Foro de SP é uma organização de grupos de esquerda democráticos e não-democráticos (excluídos, se não me engano, os genocidas, como o Sendero, mas incluíndo as FARC), que se reúnem de vez em quando para articular uma estratégia de esquerda para a América Latina. Quando eu militava no PT, o Foro era visto como piada, visto que os diversos grupos que o compunham continuavam atuando em cada país exatamente como antes, sem qualquer sinal de que estivessem organizados de que jeito fosse.
Por contraste: vários grupos de esquerda ao redor do mundo sacrificaram seu interesse imediato pra obedecer ao Komintern soviético. O Komintern parou revoluções em diversos lugares, como na Grécia, e mandou acirrar o discurso em vários momentos em que os PCs locais teriam interesse em se moderar, como foi o caso do PCB no pós-guerra. Quem não entrava na linha era isolado, como a Iugoslávia de Tito.
Hoje se diz que o Foro de SP está por trás da estatização da Petrobrás na Bolívia. Eu acho o contrário. Coloquem-se no lugar de uma hipotética organização centralizada, como era o Komintern, e vejam se faz sentido. Valeria a pena ganhar a Bolívia e perder o Brasil, onde um membro do Foro de SP é presidente, e está no meio de uma crise política pesadíssima? Isso me pareceria uma imbecilidade atroz. Se o Foro de SP é mesmo uma grande conspiração, é atrozmente burra. Eu acho que a estatização do gás mostra claramente que o Foro de SP é um troço irrelevante.
Por outro lado, a estatização mostra que há, sim, um esforço hegemonista do Chávez na AL. Chávez, forte por causa da alta do petróleo, tem todo interesse em polarizar com Lula, fraco por causa da crise do Mensalão, e seu único concorrente como líder da esquerda mundial.
Não há conspiração digna de nota do Foro de SP. Há, sim, a substituição da Argentina pela Venezuela como nosso rival estratégico continental. Se quiserem criticar Lula, critiquem por docilidade com Chávez, não por estar, junto com ele, comandando um mega-esquema de revolução continental. Até acho possível que Chávez use o Foro do SP para alguma coisa, mas essa terá sido a primeira vez em que ele foi útil para alguém.
Tanto o Olavo quanto o Olavúnculo fazem pouco do departamento de Estado dos EUA por ainda achar que há uma grande diferença entre Lula e Chávez. Não subestimem o Departamento de Estado Americano. Mais do que ninguém, eles sabem o que é e o que não é Komintern. Eles já venceram um.
PS: se esse post o tranquilizou, é por que você ainda não compreendeu o que é ter como vizinho um amigo do Mugabe e do Ahmadinejad, em processo de pesado rearmamento e com a bunda cheia de petróleo bem na hora em que Bush resolveu desestabilizar o Oriente Médio e os chineses resolveram andar de carro.
Monday, September 25, 2006
FHC é Chávez
FHC ficou com inveja da popularidade de Chávez, e resolveu fazer igual. Tal como o Chapolim Colorado se referiu a Bush, diz o ex-presidente:
"Ele não é Cristo, não, é o demônio, nós temos que expulsá-lo daqui"
Lembremos que um pensador de verdade, que, ele sim, escreveu um livro que merecia se chamar "A Arte da Política" (se não tivesse um nome mais sonoro), disse, certa vez, que
"nem foi Deus mais amigo deles do que de vós"
Ao que poderíamos completar "Nem foi o demônio menos teu amigo".
"Ele não é Cristo, não, é o demônio, nós temos que expulsá-lo daqui"
Lembremos que um pensador de verdade, que, ele sim, escreveu um livro que merecia se chamar "A Arte da Política" (se não tivesse um nome mais sonoro), disse, certa vez, que
"nem foi Deus mais amigo deles do que de vós"
Ao que poderíamos completar "Nem foi o demônio menos teu amigo".
Acirramento
Que a operação Dossiê Verdoin foi uma imbecilidade, e jogo sujo, ninguém duvida. Por enquanto não é crime: mas está com cara de que será logo, quando se souber a origem do dinheiro. Só aí então se saberá a gravidade do crime. Mas o infeliz que o Collor colocou no supremo deu um depoimento dizendo que o caso era "muito pior" que o Watergate. Reproduzo os comentários do Elio Gaspari na Folha de ontem (só para assinantes) :
"A associação é capenga. Nixon encrencou-se quando dois assessores testemunharam que havia usado a Presidência para obstruir o trabalho da Justiça. Foi a pique quando teve que entregar as fitas das gravações clandestinas que fazia no Salão Oval. (Ele não foi o primeiro. O grampo presidencial tornara-se rotina nas reuniões de John Kennedy e nos telefonemas de Lyndon Johnson.)
Há uma diferença essencial entre o Watergate e as malfeitorias petistas: ninguém provou (ainda) que Lula obstruiu investigações policiais ou a ação da Justiça. A idéia de "pior" sugere um nível de malfeitoria que não chegou (ainda) ao campo das provas. O que vem a ser um "desvio de poder", não se sabe, mas até onde a vista alcança, se alguém cometeu desvios foi o doutor Ricardo Berzoini com seu dispositivo de mídia."
Também é claro que esse escândalo é menos grave que os anteriores (até agora, repito), e aquele na qual a questionável defesa "eles também fizeram" é mais fácil de usar (Serra vs. Roseana). Mas o impacto foi muito maior, o que desfaz qualquer dúvida acerca da utilização eleitoral do fato.
Até aí, tudo bem, oposição é pra isso mesmo. Agora, que ninguém seja burro como o juiz do supremo e pense em impugnar a candidatura de Lula pelo caso dos dossiês, sob pena de iniciar uma crise institucional das boas. O barulho dessa semana (ou do próximo mês, se a eleição for para o segundo turno) é válido, mas deve acabar quando a eleição acabar, ganhe quem ganhe.
"A associação é capenga. Nixon encrencou-se quando dois assessores testemunharam que havia usado a Presidência para obstruir o trabalho da Justiça. Foi a pique quando teve que entregar as fitas das gravações clandestinas que fazia no Salão Oval. (Ele não foi o primeiro. O grampo presidencial tornara-se rotina nas reuniões de John Kennedy e nos telefonemas de Lyndon Johnson.)
Há uma diferença essencial entre o Watergate e as malfeitorias petistas: ninguém provou (ainda) que Lula obstruiu investigações policiais ou a ação da Justiça. A idéia de "pior" sugere um nível de malfeitoria que não chegou (ainda) ao campo das provas. O que vem a ser um "desvio de poder", não se sabe, mas até onde a vista alcança, se alguém cometeu desvios foi o doutor Ricardo Berzoini com seu dispositivo de mídia."
Também é claro que esse escândalo é menos grave que os anteriores (até agora, repito), e aquele na qual a questionável defesa "eles também fizeram" é mais fácil de usar (Serra vs. Roseana). Mas o impacto foi muito maior, o que desfaz qualquer dúvida acerca da utilização eleitoral do fato.
Até aí, tudo bem, oposição é pra isso mesmo. Agora, que ninguém seja burro como o juiz do supremo e pense em impugnar a candidatura de Lula pelo caso dos dossiês, sob pena de iniciar uma crise institucional das boas. O barulho dessa semana (ou do próximo mês, se a eleição for para o segundo turno) é válido, mas deve acabar quando a eleição acabar, ganhe quem ganhe.
Friday, September 22, 2006
Resposta do CM
O blog escreveu para o Ex-blog do César Maia perguntando qual era a lógica de apresentar a projeção estatística para a eleição (confira abaixo) sem levar em conta as margens de erro. O Ex-blog respondeu:
"Pesquisas em série em intervalos de uma semana e menos entendemos que se deve trabalhar com o resultado exato. A menos que um ponto saia forte da série o que não é o caso."
O que, se vocês notarem bem, é a minha pergunta sem o "Por que" no começo e o ponto de interrogação no fim. A questão, obviamente, é que o valor não é exato. A resposta exata, em estatística, é a estimativa mais a margem de erro. Se quiserem fazer o exercício, refaçam a conta diminuindo 2 pontos da primeira pesquisa de Lula e aumentando 2 da última (tudo estará dentro da margem de erro). Depois aumentem 1 ponto do Alckmin na primeira e diminuam 1 na última.
O triste é que se o Alckmin subir por causa dos novos escândalos, vão dizer que a conta do CM estava certa. E assim se desmoraliza a pobre da estatística.
"Pesquisas em série em intervalos de uma semana e menos entendemos que se deve trabalhar com o resultado exato. A menos que um ponto saia forte da série o que não é o caso."
O que, se vocês notarem bem, é a minha pergunta sem o "Por que" no começo e o ponto de interrogação no fim. A questão, obviamente, é que o valor não é exato. A resposta exata, em estatística, é a estimativa mais a margem de erro. Se quiserem fazer o exercício, refaçam a conta diminuindo 2 pontos da primeira pesquisa de Lula e aumentando 2 da última (tudo estará dentro da margem de erro). Depois aumentem 1 ponto do Alckmin na primeira e diminuam 1 na última.
O triste é que se o Alckmin subir por causa dos novos escândalos, vão dizer que a conta do CM estava certa. E assim se desmoraliza a pobre da estatística.
Thursday, September 21, 2006
Veja
Não é todo dia que podemos dizer isso, por isso não podemos perder a oportunidade: Veja concorda com este blog e fez uma matéria grande elogiando o Gabeira. Meio puxa-saco, pra falar a verdade. Mas tem trechos bons, como o seguinte:
"Aos olhos dos cínicos, a indignação de Fernando Gabeira é um tanto suspeita. Por que ele não se levantou antes contra a bandidagem que o cercava? Por que só reagiu agora? Gabeira já era parlamentar quando se votou a emenda da reeleição de FHC, processo que transcorreu sob o signo da suspeita de compra de votos. Não se ouviu sua voz condenando nada disso. Diz Gabeira: "Achei que bastava não me envolver com os corruptos e navegar ao largo da bandalheira até que vi que o Congresso estava chegando ao fundo do poço". Os cínicos continuam no direito de achar essa atitude de Gabeira um tanto alienada. Mas o certo é que ele, mais uma vez, rompeu com algo que se tornara insuficiente. Dessa vez rompeu com a ética passiva".
A edição também vale pela cobertura das eleições estaduais e pela ótima reportagem sobre os resultados do PNAD, que termina com um troço que eu realmente, realmente acho sobre o Brasil dos últimos dez anos:
"Melhoramos muito, como o próprio resultado da PNAD comprova. Não é hora, portanto, de desviar da rota correta".
"Aos olhos dos cínicos, a indignação de Fernando Gabeira é um tanto suspeita. Por que ele não se levantou antes contra a bandidagem que o cercava? Por que só reagiu agora? Gabeira já era parlamentar quando se votou a emenda da reeleição de FHC, processo que transcorreu sob o signo da suspeita de compra de votos. Não se ouviu sua voz condenando nada disso. Diz Gabeira: "Achei que bastava não me envolver com os corruptos e navegar ao largo da bandalheira até que vi que o Congresso estava chegando ao fundo do poço". Os cínicos continuam no direito de achar essa atitude de Gabeira um tanto alienada. Mas o certo é que ele, mais uma vez, rompeu com algo que se tornara insuficiente. Dessa vez rompeu com a ética passiva".
A edição também vale pela cobertura das eleições estaduais e pela ótima reportagem sobre os resultados do PNAD, que termina com um troço que eu realmente, realmente acho sobre o Brasil dos últimos dez anos:
"Melhoramos muito, como o próprio resultado da PNAD comprova. Não é hora, portanto, de desviar da rota correta".
Miriam Leitão e Alckmin
Miriam Leitão faz um comentário interessante sobre a entrevista de Alckmin no Bom Dia Brasil, que eu não entendi direito:
"Sobre reforma da previdência cometeu um erro grosseiro. Disse que é contra o aumento da idade mínima para aposentadoria porque é médico e a expectativa de vida do Brasil é muito desigual. “O mais pobre morre sem conseguir se aposentar”."
O que eu entendi do que o Alckmin disse: se aumentar o limite de idade, pobre morre antes de se aposentar. Continua a jornalista:
"Qualquer pessoa que acompanha o assunto sabe que o pobre não consegue comprovar tempo de serviço, e acaba se aposentado depois dos 65 anos, ou até ficando apenas com o benefício do Loas dado aos muito pobres com mais de 65 anos. A elevação da idade mínima para se aposentar prejudica quem ganha mais no sistema previdenciário e não os pobres que já estão prejudicados no sistema atual"
Bom, mas, de qualquer maneira, se pobre morre mais cedo, qualquer elevação da idade aumenta ainda mais a chance dele morrer antes de se aposentar, não? Por que isso seria um "erro grosseiro" (a menos que a totalidade dos pobres morra antes dos 65, o que não é verdade)? Suponho que o LOAS mudaria também, se a idade de se aposentar mudasse, caso contrário muita gente iria para o LOAS ao invés de se aposentar mais tarde. Seja o que for que ela quis dizer, eu não entendi.
"Sobre reforma da previdência cometeu um erro grosseiro. Disse que é contra o aumento da idade mínima para aposentadoria porque é médico e a expectativa de vida do Brasil é muito desigual. “O mais pobre morre sem conseguir se aposentar”."
O que eu entendi do que o Alckmin disse: se aumentar o limite de idade, pobre morre antes de se aposentar. Continua a jornalista:
"Qualquer pessoa que acompanha o assunto sabe que o pobre não consegue comprovar tempo de serviço, e acaba se aposentado depois dos 65 anos, ou até ficando apenas com o benefício do Loas dado aos muito pobres com mais de 65 anos. A elevação da idade mínima para se aposentar prejudica quem ganha mais no sistema previdenciário e não os pobres que já estão prejudicados no sistema atual"
Bom, mas, de qualquer maneira, se pobre morre mais cedo, qualquer elevação da idade aumenta ainda mais a chance dele morrer antes de se aposentar, não? Por que isso seria um "erro grosseiro" (a menos que a totalidade dos pobres morra antes dos 65, o que não é verdade)? Suponho que o LOAS mudaria também, se a idade de se aposentar mudasse, caso contrário muita gente iria para o LOAS ao invés de se aposentar mais tarde. Seja o que for que ela quis dizer, eu não entendi.
Declaração de voto (4) - Denise Frossard
Para prefeito este blog vota em Denise Frossard, sem o mesmo entusiasmo do voto para os deputados, mas torcendo, mesmo assim. Fiquei decepcionado com sua atuação na CPI (muito barulho e pouco questionamento), não tenho muito saco para o PPS, mas, comparada a qualquer um que tenha governado o Estado, é um progresso espetacular.
É, sem dúvida, uma pessoa honesta, com algumas boas idéias. Tenho medo do que pode acontecer com alguém assim lidando com a ALERJ, mas é melhor do que eleger o cara que chefiava a ALERJ (o Cabral).
É, sem dúvida, uma pessoa honesta, com algumas boas idéias. Tenho medo do que pode acontecer com alguém assim lidando com a ALERJ, mas é melhor do que eleger o cara que chefiava a ALERJ (o Cabral).
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