Wednesday, March 28, 2007

O golpe dos Democratas

Vejam como é a lei no Brasil: um trabalho miserável para fazer reforma política, todo mundo dizendo que era impossível, mas foi só o PFL resolver que duas mudanças, uma importantíssima, aconteceram essa semana.

Primeiro: acabou a exigência dos partidos terem nomes que começam com "P". Parece besteira, mas o PMDB não conseguiu mudar isso, o PSOL não conseguiu mudar isso, mas foi só o Bornhausen mandar que sua turma no judiciário resolveu que tá beleza; o novo PFL se chamará "Democratas", o que não apenas desmoraliza a grande herança ateniense, também avacalha a reputação de um excelente clube na Lapa, onde acontecem alguns dos melhores shows de samba do Rio de Janeiro.

E, Segundo, importantíssimo: resolveu-se que os deputados que mudarem de partido podem perder o mandato. Porra, isso é um assunto seríssimo, um dos pontos mais disputados da reforma política, ninguém nunca conseguiu fazer, mas, eis que, assim que o PFL começou a perder deputados para o governo, e pronto: não pode mais trocar de partido. É o mesmo raciocínio que fez o PFL virar moralista assim que perdeu a boquinha do governo.

Isso é um escândalo: as duas medidas são corretas, e seriam bem-vindas, mas, assim como não desejo ver as políticas que apóio implementadas à força, também não as quero feitas na base da sacanagem, somente com o objetivo de beneficiar no curto prazo a quadrilha de desesperados com mais poder dentro do judiciário.

Certo, certo, tudo isso ganhar uma certa comicidade pelo fato de que o líder do novo partido é o excelente Rodrigo Maia, a mais tosca cavalgadura a jamais tropeçar nas raias do Congresso, que certamente fará a alegria dos humoristas. Mas, mesmo assim, é sério.

3 comments:

Anonymous said...

A questão da fidelidade partidária tem que ser debatida. Porém, o assunto não é simples.
Uma vez que a eleição é de lista aberta e não de lista fechada.
De qualquer modo, acho que a mudança tem mais pontos positivos que negativos.

Na Prática said...

Caro Anônimo,

Você tem toda razão, sou a favor da fidelidade partidária, mas desde que ela seja aprovada segundo os trâmites normais, e, obviamente, não de maneira retroativa.

José Guilherme said...

Eu fecho apenas na questão de que isso uma hora tinha que ser feito, mesmo sabendo da sacanagem do PFL. Pode ter certeza de que o PFL vai entrar na justiça para obter os cargos que perdeu de volta, resta saber quando isso será julgado...
Mas é como eu sempre afirmei, prefiro a fidelidade partidária ao voto distrital (não quero que aconteça aberrações como meu candidato ser o mais votado e perder a eleição por causa do número de representantes eleitos, coisa de país atrasado... alguém já viu isso acontecer hoje em dia??? Há...)