Tuesday, December 12, 2006

Debate Josué Pereira da Silva X Octavio Ianni (1)

Acho que só eu lembro disso, por isso preciso registrar. Tudo o que se segue é escrito de memória, e do jeito que eu entendi. Nenhum dos envolvidos é, portanto, responsável pela minha transcrição. Como vai ficar longo, vou publicar um pedacinho por dia.

No capítulo de hoje:

Mais ou menos em 1997, em uma conferência na UNICAMP sobre globalização, Ianni afirmava que a crise do Estado-Nação era pra valer: os novos problemas globais exigiam soluções globais, e as empresas capitalistas haviam conseguido escapar dos controles keynesianos tornando-se transnacionais. Havia uma certa ambiguidade programática no discurso do Ianni: muita gente ouviu e pensou "globalização = capitalismo = ruim", mas lembro do Ianni dizendo que quando os feudos perderam importância (como hoje perdiam importância os Estados-Nação) também foi um choque terrível (como não acredito que o Ianni fosse a favor do feudalismo, creio que dizia que a globalização também abria possibilidades cosmopolitas interessantes).

Para quem estudava na UNICAMP na época, o interessante era ver o Ianni se divertindo enquanto jogava fora boa parte do prestígio que tinha junto à esquerda mais tradicional. Aproveitava para lançar o debate sobre globalização com força total na sociologia brasileira, no que era acompanhado pelo Renato Ortiz (que vinha de uma perspectiva completamente diferente).

Também era interessante comparar o desenvolvimento do Ianni com o do FHC: quando o Ianni ainda se prendia à discussão do imperialismo, o FHC saiu na frente na revisão que levaria à sua versão (existem várias) da teoria da dependência. Em 92 o Ianni tira a vantagem e recupera a dianteira reconhecendo a importância da globalização. Como se sabe, FHC descobriria a globalização com a crise do México.

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