Monday, July 23, 2007

Bruno Gaspar

Certo, nessa eu vou queimar meu filme, e já espero a queda de audiência. Mas, enfim.

Quando eu vi a cena do MAG e seu assessor, o Bruno Gaspar, me ocorreu que o tal do Bruno podia ser um aluno de quem eu fui monitor (Política III - Teoria do Estado). Mas achei o cara meio diferente, a imagem não é muito nítida, e calculei que o cara era novo demais para estar nessa (não sei se já tem 30).

Mas eis que a Paulinha me diz aí nos comentários que é o cara, mesmo. Daí que eu vou dizer o seguinte:

Esse cara é muito bom. Foi um dos melhores alunos que eu vi no curso, muito inteligente, mesmo, e bastante idealista. Eu ainda era militante do PT na época, e às vezes ele covnersava comigo sobre o movimento estudantil (minha drug of choice no começo dos anos 90), o PT, essas coisas. Me lembro dele comentando que estava meio desorientado porque, ideologicamente, se identificava com o PT moderado da Articulação, mas se sentia incomodado com o jeito pesado deles fazerem política dentro do partido (na época ainda não se falava em corrupção, mas o Dirceu já tinha sido re-cooptado pelo Lula depois do racha de 1994, e atuava como disciplinador das tendências radicais). Concordamos que o certo era apoiar a Articulação ideologicamente - defender o PT social-democrata - mas não entrar nas jogadas mais pesadas, como a intervenção no PT do Rio.

Acabou que o que me encheu o saco no PT foi justamente isso, a dificuldade em escapar da escolha entre moderados que estavam fechando muito o espaço de discussão dentro do partido e um bando de radicais que só falavam merda (dando razão, vale dizer, à liderança que não queria ouvi-los). Muita gente até hoje não entendeu isso: a Heloísa Helena não é o oposto do Zé Dirceu, é a justificativa do Zé Dirceu.

Enfim, o Bruno parece ter entrado direto na política, o que pode ser muito bom para o país, pois trata-se de um quadro com grande potencial, independente do que o meu glorioso partido possa ter feito com ele nesse meio-tempo. Se ele se queimar de vez nessa história, eu acho que sairemos perdendo.

4 comments:

Rabo de Cobra said...

Seu instruído ou não, à inglesa, eu acho que o cara tinha que se demitido e ficar no limbo vários anos até pensar em fazer política de novo.

Imagino que pra você pesam bastante as suas impressões pessoais, mas o resto do país não tem nada com isso. O ambiente político tem de ficar mais sério do que isso, não dá para ficar mais nessa frouxidão institucional, sem o mínimo de parâmetros.

Se você atesta, não tenho motivos para duvidar, que o cara é de bom nível, beleza. Acredito que seja um quadro melhor do que muita porcaria por aí, mas devemos pensar não só nas potencialidades, como também nas ações efetivas desses caras. Diante da tragédia, o que ele fez não tem perdão. E se o nível do cara é supostamente bom, isso só agrava o gesto dele.

Aliás, isso diz muito sobre o Brasil. Os membros classe educada estudam, encontram-se muito, conhecem alguém que conhecem alguém. O cara deveria pagar politicamente, mas certamente há uma rede de corporativismo intelectual que o ajudará. A classe letrada não se move para boicotar e embarreirar fichas sujas. É muito sentimental. A impunidade, as vistas grossas, não são apenas jurídicas, mas cercam o ambiente informacional e acadêmico. De alguma forma, isso deve ser resultado do nosso ovocosmo universitário. Talvez as coisas estejam melhorando, sei lá. Mesmo assim, remover a caca, os velhos vícios, vai demorar.

E, de jeito nenhum, alguém que fala com a sua clareza e honestidade perderá a minha audiência.

Na Prática said...

Grande RDC, respeito e entendo sua opinião, e agradeço a audiência. Valeu!

Rabo de Cobra said...

“O pior que se pode dizer sobre nossos malfeitores, de homens públicos a ladrões comuns, é que eles não são adultos o suficiente para receberem um castigo”.


Thomas Mann em “Notas para uma definição de cultura”

Rabo de cobra said...

Ops a frase é de T. S Eliot. Nhé.