Thursday, July 05, 2007

Grande Calligaris

Excelente, muito bom mesmo, o artigo do Contardo Calligaris hoje na Folha sobre os playboys filhosdaputa que resolveram espancar uma trabalhadora. Trecho:

"(...) a inteligência humana tem limites, a estupidez não tem. Essa diferença aparece sobretudo no comportamento de grupo. Imaginemos que a gente possa dar um valor numérico à inteligência e à estupidez. E suponhamos que o valor médio seja dois. Pois bem, três sujeitos mediamente inteligentes, uma vez agrupados, terão inteligência seis. Com a estupidez, a coisa não funciona assim: a estupidez cresce exponencialmente. A soma de três estúpidos não é estupidez seis, mas estupidez oito (dois vezes dois, vezes dois). Quatro estúpidos: estupidez 16. Cinco: estupidez 32.

Curiosamente, essa regra vale até chegar, mais ou menos, a um grupo de dez. Aí a coisa tranca: a partir de dez, torna-se mais provável que haja alguém para discordar da boçalidade ambiente. Não porque, entre dez, haveria necessariamente um herói ou um sábio, mas porque, num grupo de dez, quem se opõe conta com a séria possibilidade de que, no grupo, haja ao menos um outro para se opor junto com ele.

Esse funcionamento, por sua vez, decai quando o grupo se torna massa. É difícil dizer a partir de quantos membros isso acontece, mas não é preciso que sejam muitos: um grupo de linchamento, por exemplo, pode desenvolver toda sua estupidez coletiva com 20 ou 30 membros. "

Comentário meu: é por isso que eu gosto de política: política é um monte de dinâmicas como essa, mas com enfrentamentos em campo aberto.

7 comments:

Babalorixá do Riquixá said...

O que é que você tem contra lixamentos? É uma aplicação tribal do direito consutetudinário. Claro. Se vivêssemos em um estado de direito constituído as autoridades poderiam chegar lá e aplicar a lei penal, mas quando tá todo mundo nu na praia (plantando coquinho, eu diria?) o único mecanismo de aplicação de justiça que essa sociedade indígina-indigente têm é o linxamento. Também conhecida como auto-regulação dos bárbaros. Eu sou a favor.

QVINTVS FABIVS PICTOR said...

Amigo naprática, hoje às sete da manhã eu vi um Informal na esquina da sua casa. No Rio. Claro que nos dias que você visitar a cidade eles provavelmente vão fechar. Quase te liguei às sete da matina mesmo para dar a notícia. Quer dizer, na verdade eu liguei, mas o seu telefone elitista não aceita ligações, devolvendo mensagem de "número restrito". Talk about celebrities, uh?

Depois mando uma foto do boteco!

Pictor said...

ce num comentou nada? teve que trabalhar hoje? (*espanto*)

Na Prática said...

Grande Pictor, se o número de telefone é o que eu estou pensando, esse celular foi roubado, de maneira que talvez fosse melhor você não ligar mais para os caras lá do presídio ou da cracolândia que devem estar com ele agora. Pô, um Informal (para quem não é carioca, é o Botequim Informal, onde tem o melhor sanduíche que eu já comi) perto de casa é bom, mesmo. E é verdade, estou meio cheio de coisa pra fazer, por isso postei menos ontem. Mas hoje deve ter uns dois postos.

Japajato said...

Mas com um Informal na esquina, tem post aí atrás?

Pictor said...

Cara, eu já falei com vc nesse celular DEPOIS que você teve um cel roubado em Brasília. Você por acaso teve OUTRO cel roubado recentemente?

Mas não foi pra isso que eu entrei aqui. Eu entrei pra dizer que eu vou pro informal e você não vai. Estou descendo agora mesmo. Tchau! hehehe.

Maria said...

Gente, peraí, rs.


Enfim, voltando ao assunto do post, só por chatice. Incrível as entrevistas dos pais dos moleques. Deveriam ser presos também!

Quanto à celulares, ano passado me roubaram dois. Comprei um, com dois chips, um de SP outro de Campy City. E esqueci de trocar. Todo mundo reclama, mas pelo menos ele é um bom despertador!