Thursday, August 23, 2007

Ciro Gomes

Deu na Folha de ontem: Lula, em discussão com governadores do PT, disse que o partido não deve se fechar para a possibilidade de apoiar um candidato de outro partido da base, como Ciro Gomes.

Não há dúvida de que Ciro é o candidato mais forte à sucessão de Lula junto ao eleitorado. Marta está na descendente, Palocci, Mercadante e Genoíno dançaram durante a crise política. Dilma é uma possibilidade, mas não tem nome junto à população, ainda.

Mas uma candidatura Ciro traria um desafio interessante. Em 98 e 2002, Ciro, que antes se elegera pelo PSDB, tentava tirar votos do PT, e assim abrir um flanco à centro-esquerda para brigar com os tucanos. Se for candidato com o apoio do PT, entra em uma disputa direta com PFL/PSDB, e precisaria se mover de novo para o centro, sem, entretanto, desmobilizar a militância petista, provavelmente desconfiada de um candidato de fora do PT.

É um equilibrismo difícil, mas possível. O que Ciro deve evitar a qualquer custo é se deixar caracterizar como candidato da esquerda tradicional (PDT, parte do PSB, essas coisas). Não ganharia o PT e perderia o centro.

Lembremos que Ciro concorrerá contra Aécio, faixa-preta de primeira, que certamente vai saber roubar eleitores à esquerda quando precisar, até porque não entrou na facção mais raivosa da oposição durante a crise política. Se o candidato do PSDB for Serra, a situação é mais fácil.

A propósito: qualquer que seja o candidato do governo, suas chances começam a se estabelecer na próxima eleição para prefeito, quando o PT tem sua grande chance de se reconstruir em São Paulo antes da eleição presidencial de 2010.

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