Thursday, August 09, 2007

Mellão: chegou a hora de dizer bosta!

O João Mellão escreveu umas besteiras no Estadão sobre o Lula ir para o Nordeste, onde gostam dele, e não voltar. Que beleza. Vejam só:

“Nada contra o fato de o presidente se refugiar nos Estados nordestinos. Afinal, é neles que se encontra a grande maioria de seus eleitores, todos eles devidamente subornados pelo Bolsa-Família. Mas, a bem da Nação, a sua passagem deveria ser só de ida. Chegou a hora de dizer: Basta!”

Comentário do sempre inteligente Luiz Felipe Alencastro:

"O raciocínio cerebrino do deputado pressupõe que a legitimidade presidencial só existe nas regiões onde Lula obteve maioria eleitoral. Lula venceu na maioria dos Estados do Norte e do Nordeste, mas ganhou também em Brasília, Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Nestes 5 Estados ele obteve uma vantagem de 7.291.000 votos sobre Alckmin no segundo turno. Ou seja, mesmo que todos os brasileiros do Norte e do Nordeste tivessem ficado em casa, ou pertencessem a um outro país, Lula ainda dava de lavada no candidato tucano no segundo turno. Para ser coerente, o deputado do DEM deveria também incluir todos os brasilienses, goianos, capixabas, mineiros e cariocas no seu ‘chega pra lá’ excludente e preconceituoso. De quebra, poderia agregar ainda, neste mesmo grupo de “subornados” cujo voto vale menos que o dele e de seus amigos, e que não pertence à "Nação" deles, todos os eleitores da Baixada Santista e da Grande São Paulo, que também deram a maioria de seus votos a Lula.Falta quanto tempo ainda para a direita brasileira aprender o caminho das pedras da prática democrática?"

Ja botamos aqui na época da eleição: dos dez maiores municípios do estado de SP, Lula ganhou em 5, Alckmin em 5.

Eu acho que foi o velho Gramsci que disse: quando um movimento começa a falar só para os seus, é porque está em retirada. Isso está acontecendo no PT, mas até que isso é normal: os caras ganharam o poder, ficaram lá um tempo, começaram a perder o ímpeto. Agora, é impressionante que essas coisas como o Cansei e o Mellão já comecem assim, dando a saída recuando pro goleiro.

Imaginem como esse artigo pode municiar os apoiadores do Lula no resto do país. Na verdade, o Mellão provavelmente está consciente do seu horizonte político - no máximo, ser deputado por SP, e está se conformando com o papel. Agora, que o partido dele não se manifeste sobre isso mostra que o PFL não tem o menor risco de ter projeto nacional.

A propósito: antes que me acusem de ser anti-paulista, sou carioca residente em São Paulo, e meu currículo de bandeirante é muito melhor do que o do Mellão: ou ele já pegou ônibus pra ir dar aula em Votuporanga? Sou um grande admirador de São Paulo, fã de carteirinha das colônias japonesas e italiana (com quem aprendi a falar com as mãos), viciado em pizza (que, de fato, é melhor aqui que na Itália), formado pela sociologia paulista, e minha alma mater é a UNICAMP. Certo, o sujeito que deu a sorte de ser carioca não abandona a raça nem que queira (e porque quereria? Duas palavras: biscoito globo), mas eu também adoro essa porra aqui. O problema de São Paulo é que os paulistas são como os americanos: só oferecem um único emprego para vagabundo, o de governá-los.

PS: sempre deixando claro, não estou defendendo a política carioca em contraste com a política paulista. Se a câmara de vereadores do Rio fosse implantada na Somália, os caras sentiriam saudades dos bons e velhos senhores da guerra que antes os oprimiam.

2 comments:

Rabo de Cobra said...

Sem contar que, pela primeira vez, Lula venceu no RS tb.

Amiano said...

Sinto muito mestre, mas a pizza daí não é melhor do que a daqui não. Vem pra cá, fica aqui em casa e eu te mostro o caminho das pedras. Quer dizer, das pizzas. Agora, não acho que o Alencastro esteja certo em dizer que "direita brasileira" não aprendeu a viver com a democracia. A direita brasileira passou 8 anos no governo com o FHC ouvindo gritos de guerra golpistas de setores do PT, CUT e MST, inclusive do senhor Nula, quer dizer, Lula. A direita brasileira era bem democrática naqueles tempos (a pimenta só arde no dos outros). Idiotas existem em todos os lados, e o Alencastro sabe disso, porque a direita e a esquerda francesas que ele admira tanto não são exatamente exemplos de inteligência e compromisso democrático.