Tuesday, August 21, 2007

Fábula Econômica

Na entrevista do EconTalk com o Robert Barro, o apresentador Russ Roberts acabou a gravação propondo o seguinte problema para seus leitores:

Um turista ocidental vai passar as férias em uma ilha habitada somente por nativos cuja economia se baseia no escambo. Chegando lá, tenta pagar por uma tenda para sua estadia com um cheque. O nativo não entende que diabos é aquilo, mas acha o cheque bonitão (devia ser um desses cheques de rico, cheios de brilhozinho), e aceita o negócio. Mostra o cheque para os seus compatriotas, que também acham bonitão e começam a oferecer coisas por ele. Uma vez os nativos tendo se amarrado no cheque, o turista se dá bem, pois consegue pagar por tudo com cheques que jamais serão descontados, uma vez que passaram a funcionar como moeda dos nativos.

PERGUNTA: quem pagou pelas férias do cara?

Quem quiser a resposta pode ir checar. Mas o interessante foi o comentário de um dos leitores (Anshu Sharma):

" The Island is China holding our US denominated currency never 'cashing' it for real goods or services. By delivering goods and services in exchange of IOUs to the (US) visitor, the island (China) is extending an indefinite interest-free loan to the visitor. The vacation is therefore fully paid for by the islanders.

So let's go shop till we drop at Wal-Mart. China is paying!"

Explicação: os chineses estão, faz anos, torrando uma grana preta em títulos da dívida americana. Isso, como nota o Barro, faz com que a estabilidade da economia americana se converta em um importante produto de exportação. Daí o diagnóstico de muita gente boa de que a China sustentava a expansão do consumo americana até outro dia.

Agora, a questão é saber se, no momento, a crise americana é tal que a confiança chinesa diminua significativamente a ponto dos EUA perderem essa fonte de financiamento. Isso, sim, empurraria a crise atual para outro nível de gravidade. Mas não sei se isso acontece, não.

2 comments:

kitagawa said...

Sempre achei que a situação do dólar fosse mais ou menos essa: todo o mundo aceita dólar e quem imprime dólar são os americanos. Os americanos compram coisas de outros países usando dinheiro que eles mesmos imprimem. Claro, com esse dolares os vendedores pode comprar coisas dos americanos. Mas e se esse dinheiro impresso ficasse circulando pelo mundo, passando da mão de um chines para um brasileiro, que passa prum argentino que passa prum coreano voltando para o chines, sem nunca "voltar" para o mercado americano?

Na Prática said...

Kitagawa, bem-vindo ao NPTO. Eu acho que o problema não é tanto o dinheiro não voltar pra lá, o problema é se eles emitirem demais (ou se endividarem demais) e os chineses e cia. resolverem parar de comprar.