Wednesday, August 29, 2007

Mudamos


Levando em conta os comentários de vocês, resolvemos mudar de endereço, e de agora em diante postaremos no Wordpress. O novo link é:




Alguns comentários sobre a mudança:


1) Analisando os prós e contras, chegamos à conclusão de que o Blogger é bem melhor para quem entende de html. É muito mais flexível, e dá pra fazer mais coisa com ele. Uma vez que o WordPress tem o html fechado, não dá nem pra colocar um webcounter como o Google Analytics (eles têm um lá, deles, parece mais ou menos). Por outro lado, para quem não entende de html, como eu, o Wordpress oferece templates prontinhos mais bacanas: bem mais bonitos e com alguns recursos interessantes, como essas várias sub-pagininhas no alto da página.


2) Os posts já estão quase todos exportados para lá, mas há vários problemas com imagens, vídeos e links, que vou corrigindo aos poucos. Se um post for sem importância e estiver com cara de dar muito trabalho, vou apagar. De qualquer maneira, esse blog continuará aqui, não será apagado, de maneira que, se alguém, por algum motivo, quiser checar um post antigo mal-exportado, é só vir aqui.


3) Os comentários ainda estão começando a ser exportados agora, por isso vou responder por aqui (e por lá, também) ainda essa semana. Mas os posts novos só serão lançados lá.


Espero que vocês gostem do novo visual, e continuem prestigiando o NPTO. Estamos com uma audiência média de 80-90 pessoas, e alguns leitores fiéis, que esperamos manter (porque até que está divertido fazer esse negócio). Se alguém notar alguma coisa que não funciona na nova página, por favor, avise.

Tuesday, August 28, 2007

Boa Notícia

Certo, é deprimente ouvir a história do escândalo de corrupção de 2003. Agora, não podemos perder a perspectiva: uma vez descoberto o caso, houve a denúncia, ela foi acolhida pelo Procurador Geral (não mais um “engavetador geral”), caiu na mão de um relator indicado pelo governo, e não há o menor sinal de condescendência até agora. Acompanhar os debates no STF (com todos os problemas que o STF tem) tem sido um saudável contrapeso ao ridículo que foi a CPI (”Dirceeeeu…sai daí, Dirceeeeu….”). Não se trata de elogiar o governo por suas indicações (afinal, é o mesmo governo no banco dos réus), mas sim constatar um certo amadurecimento institucional.

Monday, August 27, 2007

Ruy Fausto

Boa entrevista na Folha de ontem com o Ruy Fausto, professor da Universidade de Paris. A enrevista marca o lançamento de um livro de artigos sobre política, meio mal apresentado pela reportagem: aparentemente, trata-se de uma coletânea de artigos sobre política (alguns dos quais, se bem entendi, já comentamos aqui, onde costumamos gostar do que o cara fala sobre política), A Esquerda Difícil. O livro certamente será resenhado aqui quando sair. Enquanto isso, os melhores momentos da entrevista:

Mensalão

"Lamentavelmente, parte da intelectualidade do PT tomou a defesa do partido, e portanto dos corruptos, e pôs a culpa na imprensa pelo escândalo, como se ela tivesse montado o essencial. A tendência a transformar tudo em complô da mídia -que está longe de ser inocente, principalmente na sua atitude para com o governo Lula, mas, no caso do mensalão, fora as diatribes sinistras contra intelectuais do PT proferidas por certa revista, ela acertou muito mais do que errou- é propriamente lamentável, e mostra a total desorientação de parte da intelectualidade petista.

Não se defendem princípios, defende-se um partido. Como se os partidos não apodrecessem, e como se eles fossem mais importantes do que um projeto socialista democrático sério. Essa atitude mistificou parte da opinião universitária, que "não acredita" no mensalão, como se se tratasse de um problema de crença ou de fé (se o mensalão era quinzenal, ou semestral, isso interessa pouco, o essencial é que houve corrupção, e grande). Com isso não quero dizer que nada preste no PT, nem que ele não tenha mais interesse. Há certo número de pessoas honestas e com convicções ali. Só que são minoritárias. Veremos se ainda podem desempenhar algum papel. "

Revista

"Creio que precisaríamos de uma revista, mas uma revista com gente que tenha posições bastante convergentes, e que se disponha a trabalhar no sentido de uma crítica intransigente ao petismo acrítico, ao revolucionarismo -inclusive o niilista- e às pseudo-sociais-democracias nacionais, que na realidade não têm nada de social-democratas. Uma revista política e teórica que fosse nessa direção representaria um passo importante, no sentido da preparação de uma reorganização política. Pelo menos denunciaríamos os sofismas e as jogadas de uns e outros. A partir daí, e entrando em contato com o que existe de melhor em vários grupos ou partidos (há gente politicamente sã, mesmo se minoritária, um pouco por todo lado, inclusive fora de grupos ou partidos) veríamos o que seria possível fazer a médio prazo."

Comentários NaPratica: ainda temos mais esperança no PT a médio prazo (mais sobre isso em post a ser publicado em breve), mas já manifestamos a intenção de comprar a revista do Ruy Fausto e linkar aqui. Tenho uma certa curiosidade sobre quem seriam os outros autores.

Wordpress

Fizemos um modelinho do blog lá no Wordpress. Dêem uma sacada e digam o que vocês acham.

Thursday, August 23, 2007

Ciro Gomes

Deu na Folha de ontem: Lula, em discussão com governadores do PT, disse que o partido não deve se fechar para a possibilidade de apoiar um candidato de outro partido da base, como Ciro Gomes.

Não há dúvida de que Ciro é o candidato mais forte à sucessão de Lula junto ao eleitorado. Marta está na descendente, Palocci, Mercadante e Genoíno dançaram durante a crise política. Dilma é uma possibilidade, mas não tem nome junto à população, ainda.

Mas uma candidatura Ciro traria um desafio interessante. Em 98 e 2002, Ciro, que antes se elegera pelo PSDB, tentava tirar votos do PT, e assim abrir um flanco à centro-esquerda para brigar com os tucanos. Se for candidato com o apoio do PT, entra em uma disputa direta com PFL/PSDB, e precisaria se mover de novo para o centro, sem, entretanto, desmobilizar a militância petista, provavelmente desconfiada de um candidato de fora do PT.

É um equilibrismo difícil, mas possível. O que Ciro deve evitar a qualquer custo é se deixar caracterizar como candidato da esquerda tradicional (PDT, parte do PSB, essas coisas). Não ganharia o PT e perderia o centro.

Lembremos que Ciro concorrerá contra Aécio, faixa-preta de primeira, que certamente vai saber roubar eleitores à esquerda quando precisar, até porque não entrou na facção mais raivosa da oposição durante a crise política. Se o candidato do PSDB for Serra, a situação é mais fácil.

A propósito: qualquer que seja o candidato do governo, suas chances começam a se estabelecer na próxima eleição para prefeito, quando o PT tem sua grande chance de se reconstruir em São Paulo antes da eleição presidencial de 2010.

WordPress

Muita gente me diz que eu deveria mudar o blog para o wordpress. Alguém aí sabe se é uma boa?

UCTV

Para quem tem trabalho chato e gosta de estudar, uma boa alternativa são os Podcasts. Você vai fazendo suas tarefazinhas bestas e ouvindo coisas interessantes no fone de ouvido. Alguns posts abaixo há a indicação de um podcast sobre filosofia, e estamos sempre falando do EconTalk. Aí vai mais uma sugestão: a UCTV, webtv da Universidade de Berkeley. Há duas entrevistas com autores de livros comentados aqui recentemente, "O Vulto das Torres" e "The Right Nation". O do Amartya Sen tem o volume muito baixo, infelizmente, e recomendamos o da Amy Chua, cujo livro sobre democracia e mercado em países com conflito étnico esperamos ler um dia desses.

Wednesday, August 22, 2007

Fraude na Câmara de São Paulo

Vocês já devem ter visto na imprensa a história do concurso da câmara de SP, que foi aquela beleza: um monte de gente da mesma família gabaritando o concurso. Até aí, mais um caso de fraude.

O interessante é o seguinte: uns candidatos revoltados saíram atrás da história e descobriram, através da Internet e do Orkut, o grau de parentesco dos candidatos e, que maravilha, descobriram que outros aprovados com notas altas são amigos da família. O trabalho de investigação pode ser encontrado no blog da fraude do concurso da câmara. Como resultado, do MP até a fundação que organizou o concurso, todo mundo está investigando.

Agora vejam só que interessante: dois aspectos da cultura brasileira colidem nesse episódio. Um, obviamente, é o nepotismo. Mas o outro, mais novo, é a tendência a escancarar sua vida pessoal na internet.

Interessante, hein?

Desigualdade cresce na Venezuela

Revolução Bolivariana é isso aí: enquanto o moderadíssimo Lula fez o coeficiente de Gini do Brasil cair 4,6%, o coeficiente de Gini da Venezuela CRESCEU o dobro disso (9%). É isso aí, companheiros: a desigualdade do socialismo do século XXI é MAIOR do que a do capitalismo do século XIX que havia antes na Venezuela. Que espetáculo.

(hat tip: Marginal Revolution)

Tuesday, August 21, 2007

Reagan sabia das coisas

Como diz a versão de Bezerra da Silva para o princípio da identidade aristotélico, Malandro é Malandro, Mané é Mané. Embarcamos na onda e citamos aqui o hoax do Reagan escrevendo sobre o Bush. Foi mal aí, e valeu ao anônimo pela dica.

Podcasts Filosóficos

Eu não tenho como baixar o Real Audio aqui no trabalho, mas, para quem tiver o programa, essa série de podcasts com filósofos tem cara de ser bem legal.

Fábula Econômica

Na entrevista do EconTalk com o Robert Barro, o apresentador Russ Roberts acabou a gravação propondo o seguinte problema para seus leitores:

Um turista ocidental vai passar as férias em uma ilha habitada somente por nativos cuja economia se baseia no escambo. Chegando lá, tenta pagar por uma tenda para sua estadia com um cheque. O nativo não entende que diabos é aquilo, mas acha o cheque bonitão (devia ser um desses cheques de rico, cheios de brilhozinho), e aceita o negócio. Mostra o cheque para os seus compatriotas, que também acham bonitão e começam a oferecer coisas por ele. Uma vez os nativos tendo se amarrado no cheque, o turista se dá bem, pois consegue pagar por tudo com cheques que jamais serão descontados, uma vez que passaram a funcionar como moeda dos nativos.

PERGUNTA: quem pagou pelas férias do cara?

Quem quiser a resposta pode ir checar. Mas o interessante foi o comentário de um dos leitores (Anshu Sharma):

" The Island is China holding our US denominated currency never 'cashing' it for real goods or services. By delivering goods and services in exchange of IOUs to the (US) visitor, the island (China) is extending an indefinite interest-free loan to the visitor. The vacation is therefore fully paid for by the islanders.

So let's go shop till we drop at Wal-Mart. China is paying!"

Explicação: os chineses estão, faz anos, torrando uma grana preta em títulos da dívida americana. Isso, como nota o Barro, faz com que a estabilidade da economia americana se converta em um importante produto de exportação. Daí o diagnóstico de muita gente boa de que a China sustentava a expansão do consumo americana até outro dia.

Agora, a questão é saber se, no momento, a crise americana é tal que a confiança chinesa diminua significativamente a ponto dos EUA perderem essa fonte de financiamento. Isso, sim, empurraria a crise atual para outro nível de gravidade. Mas não sei se isso acontece, não.

Monday, August 20, 2007

Para os cinéfilos

Nosso velho grande chapa Luiz Felipe, o popular Téo, está escrevendo uma coluna sobre cinema na Internet. Já está recomendado, e será linkado aí do lado hoje.

Friday, August 17, 2007

Cansei Cansou

Não há muito como caracterizar o ato do Cansei de hoje senão como um fracasso. O único comentarista que parece discordar, pelo que vi, é o Olavúnculo. Na Paulista, hoje, ninguém fez minuto de silêncio. Nenhum dos meus colegas tucanos, a crer na minha rápida pesquisa por email, fez minuto de silêncio - aliás, tucano de pedigree mesmo parece não ser muito chegado no Cansei, não (ao menos essa é minha impressão).

Agora, vendo as fotos, lendo os posts nos blogs, me dá a impressão de que foi uma coisa pra gente muito longe do meu gosto. Sabe aquele espantalho das elites que o governo gosta de atacar? Uns caras resolveram dar vida ao bicho.

O bicho é feio. E a trilha sonora é do Agnaldo Rayol.

O nicho de mercado de uma direita de qualidade no Brasil permanece vazio.

Piauí, cansei, etc.

A desgraça desses movimentos de classe alta no Brasil é que o nível intelectual de nossa elite é baixíssimo: quando os caras começam a relaxar e falar como falam em particular, só sai merda. Vide o depoimento do cara da Philips sobre o Piauí (hat tip: Dr. ABC). E o nível intelectual é essencial em um movimento desse tipo, que só pode ter algum sucesso se convencer os formadores de opinião, se esses influírem sobre os canais normais de disseminação cultural - igrejas, partidos, rodas de bar, etc.

O que eu acho que pode acontecer é que o Cansei vai mobilizar em torno do Lula uma parte da esquerda até agora rompida com o governo. O resto é só uma tentativa de tornar o apoio ao Lula "unfit for polite company", mas a company do caso não é muito polite, não, de maneira que deve ficar tudo igual.

Aliás, hoje é o dia do minuto de silêncio do Cansei, que contará com o apoio entusiasmado dos funcionários do Magazine Luiza.

Em vez do minuto de silêncio, poderiam fazer um minuto de exposição de qualquer proposta que fosse sobre o que quer que fosse. Na verdade, eu queria era uns dez anos de silêncio desse pessoal, de mãos dadas ao pessoal da velha esquerda, para que os adultos pudessem discutir coisas sérias. Na época da crise política de 2005 (da qual a culpa é inteiramente do governo), toda discussão adulta foi interrompida, e ainda não voltou.

Thursday, August 16, 2007

Três Donas que eu devia ler

Três autoras que eu deveria ler (ou ler mais): na verdade, suspeito que eu devia ficar quieto até ler a primeira direito.

1) Hanna Arendt: já li o "Totalitarismo", precisava ler "A Condição Humana", os outros livros sobre filosofia política.

2) Martha Nussbaum, cujo perfil pode ser lido aqui, e que vocês podem ouvir falando sobre conflitos étnicos na Índia aqui. Escreveu com o Amartya Sen, escreveu um texto interessante sobre cosmopolitismo (estava disponível online, parece que tiraram), e uns textos sobre emoção e razão que têm cara de ser muito bacanas.

3) Seyla Ben-Habib, que não apenas era da banca do mestre Jedi Josué Pereira da Silva, escreveu um livro que tem tudo pra ser bom, "Critique, Norm and Utopia", e um outro sobre a Arendt que também tem cara de ser ótimo.

Quando eu ler eu aviso pra vocês.

Livrão: "Disgrace", de J.M. Coetzee


Certo, o cara já ganhou o Prêmio Nobel de literatura, o livro é de 2000, de maneira que não se trata de nenhuma grande descoberta da minha parte dizer que esse livro é realmente um espetáculo.

A Companhia das Letras evitou o falso cognato e traduziu como "Desonra", mas, se tivesse cometido e traduzido como "Desgraça", não estaria muito longe da história, não.

O livro conta a história de um professor sul-africano de literatura solitário e meio tarado que dá em cima de uma jovem aluna da faculdade. Dá certo. Após alguns encontros, em que o leitor fica meio na dúvida sobre o quanto foi assédio sexual e o quanto foi voluntário, a menina processa o cara por assédio, e ele protagoniza um momento memorável: após confessar ter feito mesmo a coisa, os administradores da universidade dizem que aliviam a barra dele se ele der mostras de que não apenas confessa como também está arrependido, sinceramente. Ele afirma que estabelecer a sinceridade de sua contrição não é atribuição de um tribunal, é uma matéria extraordinariamente complexa, e, por princípio, se limita a confessar. É demitido sem pensão.

Até aí, beleza.

Vai então morar com sua filha que virou fazendeira no interior da África do Sul. A menina é uma idealista, defensora dos direitos dos animais, e lésbica. O protagonista começa a participar da vida dela, desempenhar tarefas da fazenda, e quando parece que tudo vai mais ou menos, três negros entram na fazenda, roubam tudo, estupram a menina, trancam o cara no banheiro e tacam fogo nele.

Aí a coisa começa a piorar.

Há várias desonras em jogo: a desonra do próprio personagem, publicamente denunciado como velho sedutor de menores e demitido; a vergonha de sua filha estuprada; e, principalmente, a vergonha da África do Sul, um país inteiro em penitência, em desgraça, em vergonha, sendo lentamente absorvido pela África que o cerca (de dentro, inclusive). A extrema decadência humana do personagem principal, sua progressiva incapacidade de expiar seus erros, a falta de reconhecimento pelo pouco que consegue, e a progressiva adaptação à velhice, à deterioração; a desonra como a perda do direito de ter uma injustiça contra si reparada.

Um clássico sobre a busca incessante de bodes expiatórios para o sacrifício (na última cena do livro isso é claro), à maneira d' "A Mancha Humana", do Philip Roth, outro livraço, do qual me lembrei algumas vezes enquanto lia. Talvez seja até melhor, não sei.

Enfim, para quem tiver tempo para dedicar a um livro denso, eu recomendo.

Wednesday, August 15, 2007

Rússia

A Paula do Nel Mezzo del Camino me chamou atenção sobre o artigo do Bernardo Carvalho sobre a situação política da Rússia atual. O artigo é legal, mesmo, vale a pena ler.

Sobre a Rússia: para entender a situação atual, vale a pena relembrar uns artigos esquecidos dos anos 90.

O Anders Aslund, economista sueco que deu assessoria para vários governos pós-socialistas, lançou a seguinte idéia: certo, os oligarcas russos roubaram as empresas. Foi. Agora, deveríamos nós encher o saco dos caras? Não. A obtenção de propriedade por meios ilícitos foi a regra, não a exceção, na maior parte dos países capitalistas (concessão de terras gratuitas para construir linha de trem, pirataria, etc., o que o Marx chamava de "acumulação primitiva"). Há sinais de que os oligarcas que sobreviveram à crise de 98 estavam administrando suas empresas mais ou menos bem. Nesse cenário, diz o Aslund, é melhor deixar como está do que arriscar re-estatizar de novo e privatizar direito (quem garante que dessa vez seria direito?).

É um argumento razoável. Só que tem outro lado, bem explicado por um sociólogo húngaro chamado Akos Rona-Tas. O "capitalismo político" russo pode se reproduzir indefinidamente, porque, cada vez que se faz uma privatização na base da sacanagem, a população fica chocada com o episódio, passa a desprezar os ricos (mesmo os que não têm nada a ver com isso), e pedir que o Estado intervenha pra por ordem nessa zorra. Aí o Estado (por exemplo, o Putin) começa a perseguir alguns dos novos milionários (os que não aceitam apoiar o governo) e redistribuir o que for confiscado para seus cupinchas em uma nova rodada de sacanagem. Aí a população fica desiludida...

Em uma interpretação mais otimista, é possível que o ciclo vá perdendo intensidade com o tempo. Nessa nova rodada o Putin já vai distribuir menos empresas, comparado ao que o Yeltsin entregou, e é possível que o próximo governante tenha menos ainda para redistribuir.

Mas realmente não é um quadro muito bonito.

Sobre o Bernardo Carvalho: eu gosto dos livros dele, como já dito aqui. Recomendo especialmente o Mongólia.

CM volta a ser spam




Não sei nem o que comentar a respeito disso:



"Publicitários enviaram a este Ex-Blog este anúncio do Banco do Brasil. Afirmam que é uma mensagem subliminar com o número 3, com vistas a ir disseminando a idéia de um terceiro mandato. Decida pelo 3... mandato? Banco... da Sustentabilidade... do mandato? Será????"


Saiu no Ex-Blog do CM. Quando eu começo a me animar a ler de novo (às vezes sai umas coisas boas mesmo), ele faz dessas. A foto do anúncio (que, aliás, eu nunca vi) está aí em cima. Só me resta levantar e ir tomar meus 3 cafés de hábito.


Café...Filho? ...PRESIDENTE... Café Filho? ...PRESIDENTE PELA TERCEIRA VEZ...etc.?

Tuesday, August 14, 2007

Rodrik vs. Tabarrok

Briga de cachorro grande na blogosfera econômica: o Dan Rodrik (link aí do lado em breve), professor de economia em Harvard, escreveu um artigo em defesa dos países fazerem política industrial. O Alex Tabarrok, que, junto com o Tyler Cowen, escreve o excelente blog Marginal Revolution (link já aí do lado) desceu a lenha, e o debate foi parar no Free Exchange, blog da The Economist (que concorda com o Tabarrok). O debate teve, inclusive, impacto na blogosfera brasileira, com o Hermenauta e o FYI "torcendo", respectivamente, pelo Rodrik e pelo Tabarrok. Se eu entendi, trata-se do seguinte:

Disse o Rodrik: os economistas aceitam a intervenção estatal em áreas como saúde e educação, mas não na indústria. No caso das políticas sociais, os argumentos a favor se baseiam na teoria das falhas de mercado, as externalidades positivas da educação, etc. Embora esses argumentos sejam intelectualmente muito plausíveis, e sejam indiretamente relacionados a pressupostos mais ou menos aceitos, ainda não existe um corpo de evidências empíricas muito sólido que os apóie. Mesmo assim, os economistas em geral continuam aceintando a intervenção com base neles.

Ora, a situação no caso da política industrial é exatamente a mesma: há argumentos baseados nessas mesmas teorias, igualmente plausíveis, mas sem grande sustentação em estudos empíricos. Não há motivo, portanto, para a gente não discutir, pelo menos, a conveniência de se fazer política industrial. Para apoiar seu argumento, o Rodrik lista alguns exemplos de políticas industriais que deram certo.

O Tabarrok caracterizou esse argumento como "o pior de todos os tempos", e reescreveu-o assim:

1 - Nós aceitamos umas coisas aí mesmo sem evidência empírica.

2 - Não temos evidência empírica a favor da conveniência de se fazer política industrial.

3 - Devemos, pois, aceitar a conveniência de se fazer política industrial.

Foi essa versão que o blog da The Economist aceitou. Mas, se vocês prestarem atenção no argumento do Rodrik, ele não é esse aí, não (que seria mesmo uma droga). A base do argumento é a tal das teorias da falha de mercado, que, pelo que eu sei, é amplamente aceita (o que não quer dizer que sua aplicação nesse caso o seja). Nos comentários do Marginal Revolution, o vosso mané aqui tinha que dar um pitaco, e reformulou o argumento assim:

"1 - Economists support state intervention in some areas where there is no rock-solid empirical evidence for it, ONLY PLAUSIBLE THEORETICAL CONSIDERATIONS LOGICALLY DERIVED FROM USUALLY ACCEPTED PRINCIPLES, OF WHICH WE HAVE ONLY INDIRECT EMPIRICAL EVIDENCE (the whole market failures discussion).

2 - Some of these theoretical considerations should apply to industrial policy.

3 - We therefore should be open to discuss the convenience of industrial policy."

Daí em diante o negócio pode ser verdadeiro ou falso, mas não é trivialmente errado, como sugeriram o Tabarrok e o Free Exchange.

Acrescento mais dois pontos:

1) Acho que aceitamos o argumento no caso da política social porque consideramos a perspectiva das crianças ficarem fora da escola tão horroroso que não queremos correr o risco das falhas de mercado ocorrerem. Somos mais céticos no caso da política industrial porque não consideramos um crescimento econômico sub-ótimo tão terrível assim para correr os riscos associados à intervenção do Estado (corrupção, ineficiência, etc.). Mas, como me chamaram a atenção lá nos comentários, isso é só especulação.

2) Não sei como se poderia fazer um teste econométrico da conveniência de se fazer política industrial, acho a variável "política industrial" ampla demais: involve subsídios, barreiras alfandegárias, políticas de inovação e incentivo, enfim, um monte de coisas diferentes. Mas, enfim, não é porque eu não sei fazer que é impossível.