Monday, June 25, 2007

A conversão de Tony Blair

Quando morava na Inglaterra, era comum ouvir denúncias de que Blair era cripto-católico ("cripto-papista"). A coisa era séria porque Blair, afinal, ao menos formalmente, decidia quem mandava na Igreja Anglicana. E temia-se que isso pudesse pesar na resolução da questão irlandesa, onde, aliás, se pesou, foi para o melhor: Blair teve, sem sombra de dúvida, a melhor política para a Irlanda do Norte da história dos governos britânicos das últimas décadas.

A esposa e os filhos de Blair são católicos, e muita gente reclamava de uma coisa que eu, pessoalmente, achava engraçado. A Igreja Anglicana autoriza seus fiéis a comungar em Igrejas Romanas quando não houver uma Anglicana por perto (por exemplo, quando os ingleses viajam para outros países). Blair interpretava isso meio livremente, achando quaisquer duas quadrazinhas que ele precisasse andar longe demais para ir à Igreja Anglicana.

Pois be, acabou que o Blair vai se converter mesmo ao catolicismo. Vejam só.

Hoje a religião não tem mais o mesmo papel na vida pública da Grã-Bretanha, e o fato não deve despertar a guerra civil que teria despertado duzentos anos atrás, quando ainda não se admitia alunos não-anglicanos em Oxford. Mas é, sem dúvida, a mais importante conversão desde a reforma, superando a do Cardeal Newman.

2 comments:

rabo de cobra said...

Sir In the Practice, "Superando a do cardeal Newman"... Acho que esse final foi meio forte, pricipalmente se considerarmos as conseqüências. A conversão de Blair nós não sabemos no que dará exatamente, mesmo assim, ele não será beatificado, não criará uma cisão na Igreja Anglicana, rachas nos costumes das instituições. Enfim, eu sei que você admira o Blair, eu também, mas a conversão dele não deve ser a mais importante desde a reforma. Acho que você se empolgou.

Abraços,

Na Prática said...

Caro RDC, sua questão é pertinente, tentarei esclarecer a questão em novo post.